Missão Urbana

União Central Brasileira

ELLEN WHITE E A MISSÃO NAS CIDADES

Felipe E. Tan

Introdução

Em 16 de maio de 1913, a Conferência Geral abriu a sua 38.ª sessão em Takoma Park, Washington, DC. Ellen White que vivia na Califórnia naquela época não pôde comparecer à sessão devido a sua idade avançada. No entanto, ela enviou duas comunicações dirigidas aos participantes da Conferência Geral. Na primeira, ela saudou aqueles que “têm trabalhado em terras distantes e na terra home” encorajando-os e assegurando a graça sustentadora de Deus. Perto do final desta primeira mensagem, ela escreveu:

“Fiquei profundamente impressionada pelas cenas que recentemente passaram diante de mim, à noite. Parecia existir um grande movimento — um trabalho de reavivamento — em ação em vários lugares. Nosso povo movia-se em linha e respondia ao apelo de Deus. Meus irmãos, o Senhor está falando a cada um de nós. Não ouviremos Sua voz? Não espevitaremos nossas lâmpadas e não agiremos como homens que esperam a vinda de seu Senhor?” {TM 515.1

O pastor AG Daniells, presidente da Conferência Geral, leu a segunda mensagem de Ellen White, na manhã de 27 de maio de 1913. Nesta comunicação, ela narrou sua viagem após a Conferência Geral de 1909, participando de reuniões campais e outras reuniões na Nova Inglaterra, nos estados centrais e o oeste. Ela incentivou os pioneiros e obreiros em seu ministério. Ellen White garantiu aos delegados que o “Deus de Israel ainda guiava o Seu povo, e que Ele continuaria com eles até o fim.” Então ela desafiou os líderes e membros da igreja para avançar.

“Cristo está abrindo o coração e a mente de muitos em nossas grandes cidades…As cidades grandes e pequenas e as localidades próximas e distantes, precisam ser trabalhadas, e isso com sabedoria. Nunca recueis. Se trabalharmos em uníssono com o Espírito de Deus, o Senhor fará as devidas impressões nos corações”. {TS3 310.4}

Ellen White escreveu extensivamente sobre o evangelismo, e, em particular, nas áreas relacionadas ao trabalho nas cidades.[1] Este trabalho é uma revisão de suas ideias sobre o trabalho nas cidades.[2] Ele vai investigar as declarações de Ellen White em três aspectos: Deus como o autor do trabalho nas cidades, aqueles que realizam esse trabalho, e os métodos a serem utilizados. A seção final irá conter uma conclusão em relação ao trabalho nas cidades.

 

Deus o Autor do Trabalho nas Cidades

A Bíblia e os escritos de Ellen White apontam Deus como a fonte da mensagem e o Autor da obra nas cidades. O mandato divino é claramente afirmado na comissão do evangelho (Mt 28:18; Ap 14: 6-7). Ellen White retratou Deus como Alguém que acompanha de perto o planejamento dos líderes da igreja sobre a Sua obra.

Um Ser de dignidade e autoridade — presente a todas as nossas reuniões de comissões — escutava com o mais profundo interesse todas as palavras. Falou deliberadamente, e com perfeita segurança: “O mundo todo”, disse, “é a grande vinha de Deus. As cidades e vilas constituem parte dessa vinha. Elas têm que ser atingidas.” — Testemunhos Seletos 3:88 (1902).

O contexto da afirmação acima, escrita em 1 de Abril de 1874, foi um sonho que ela teve de uma reunião de planejamento dos líderes da igreja. Devido aos recursos financeiros limitados e pequeno número de ministros, os líderes pensaram que deveriam começar a trabalhar em lugares pequenos em vez de entrar nas grandes cidades. Tiago White, no entanto, pediu aos líderes que “traçassem sem demora planos mais amplos, e empregassem, em nossas cidades grandes, esforços extensos e completos, que melhor correspondessem ao caráter de nossa mensagem.” {Ev 41.1}. Ellen White também aconselhou os líderes da igreja que Deus queria que eles avançassem pela fé. Era também o desejo de Deus que os líderes da igreja visualizassem a tarefa de uma perspectiva mais ampla.

“O Mensageiro celestial que conosco estava, disse: “Jamais percam de vista o fato de que a mensagem é mundial. Deve ela ser dada a todas as cidades, a todas as vilas; deve ser proclamada nos caminhos e valados. Não limitem a proclamação da mensagem.”{T7 35.3}

Em 1874, quando Ellen White teve um sonho sobre evangelização das cidades, foi também o mesmo ano em que a Conferência Geral enviou oficialmente John Nevins Andrews e seus filhos Charles e Mary como os primeiros missionários oficiais para a Europa. Deus pretendia que a proclamação do evangelho fosse um movimento global “para proclamar aos que habitam sobre a terra, a toda nação, tribo, língua, povo” (Ap 14: 6 NVI).

Obreiros das Cidades

A proclamação mundial do evangelho nas cidades e em outros lugares só poderá ser realizado quando todos os membros da igreja, e não apenas ministros, estiverem envolvidos no trabalho. Assim, Ellen White escreveu o seguinte:

“A obra de Deus na Terra nunca poderá ser terminada a não ser que os homens e as mulheres que constituem a igreja participem do trabalho e unam os seus esforços aos dos pastores e oficiais da igreja.” —{SC 51.6}

“O Senhor deseja que Seu povo desperte e faça o trabalho que lhe foi indicado. A responsabilidade de advertir o mundo não repousa sobre os pastores somente, mas também os membros da igreja devem participar da obra de salvar almas. Mediante visitas missionárias e sábia distribuição de nossa literatura, muitos que jamais haviam sido advertidos podem ser alcançados”. Medicina e Salvação, p.313

Cerca de quatro anos atrás, quando o Pastor Haskell e outros estavam dirigindo uma escola bíblica de preparo e tendo reuniões noturnas na cidade de Nova Iorque, a palavra do Senhor aos obreiros foi:

“Fazei com que os crentes que moram perto do local das reuniões participem da responsabilidade do trabalho. Os crentes devem considerar um dever e privilégio ajudarem para que as reuniões tenham êxito. Deus Se agrada dos esforços que se fazem para pô-los a trabalhar. Deus deseja que cada membro da igreja trabalhe como se fosse Sua mão ajudadora, buscando, mediante ministério de amor, ganhar almas para Cristo.”… {Ev 111.2}

“O exemplo dos seguidores de Cristo em Antioquia deve servir de inspiração para todos os crentes que vivem atualmente nas grandes cidades do mundo. Conquanto esteja no plano de Deus que obreiros escolhidos, de consagração e talento, sejam enviados a importantes centros de população para realizar conferências públicas, é também Seu propósito que os membros da igreja que vivem nessas cidades usem os talentos que Deus lhes deu trabalhando em favor das pessoas…Deus está chamando não somente pastores, mas também médicos, enfermeiros, colportores, obreiros bíblicos e outros consagrados membros da igreja, possuidores de diferentes talentos, que tenham o conhecimento da Palavra de Deus e possuam o poder de Sua graça, para que considerem as necessidades das cidades não advertidas”. {AA 87, 88.}

Em conexão com o apelo de Ellen White para o envolvimento dos membros da igreja no trabalho das cidades, ela escreveu sobre os diversos dons dos membros da igreja e a necessidade de treinamento.

Diversidade de Dons

O apóstolo Paulo usou o corpo humano para ilustrar a diversidade de dons espirituais em suas epístolas (Ef 4:11-13; 1 Cor 12:4-11; Rm 12:4-8). Deus capacitou os crentes com uma variedade de dons, e desejou que eles trabalhassem harmoniosamente. Os desafios em evangelizar as cidades exigem uma variedade de abordagens. Ellen White articulou o mesmo conceito da seguinte maneira:

“Conjuntamente com a proclamação da mensagem em cidades grandes, há muitas espécies de trabalho a ser efetuado por obreiros de vários dons. Uns devem trabalhar de um modo, outros de outro. O Senhor deseja que as cidades sejam trabalhadas mediante os esforços unidos de obreiros de diferentes habilidades”. {OE 345.1}

“Um [obreiro] pode ser um bom orador, outro um bom escritor, outro ainda pode possuir o dom da oração sincera, fervorosa, outro o de cantar, e ainda outro a capacidade de expor com clareza a Palavra de Deus. E cada um desses dons se deve tornar numa força em favor de Deus, pois Ele opera por meio do obreiro. A uns dá o Senhor a palavra de sabedoria, a outro conhecimentos, a outro fé; todos, porém, devem trabalhar sob a mesma direção, isto é, tendo Cristo por Cabeça. A diversidade de dons conduz à diversidade de operação; “mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. 1 Coríntios 12:6. {Ev 99.3}

“Ninguém imagine que só os seus dons sejam suficientes para a obra de Deus, e que ele, somente, possa realizar uma série de conferências, fazendo o trabalho com perfeição. Seus métodos podem ser bons, mas, não obstante, os diferentes talentos são essenciais. A opinião de um só homem não deve formular e estabelecer a obra de acordo com suas idéias particulares. A fim de ser estabelecida a obra, com firmeza e de modo simétrico, há a necessidade de vários dons e diferentes instrumentos, todos sob a direção do Senhor. Ele instruirá aos obreiros conforme suas várias habilidades. “{Ev 104.1}

Ellen White estava ciente da diferença entre trabalhar em áreas rurais e as cidades. Os desafios incluem a presença de diferentes classes de pessoas nas cidades (1948b:113), nacionalidades diferentes (1948b: 121), pessoas de negócios (1990: 217) e turistas (1948b: 122). O trabalho nas cidades era difícil, ela reconheceu, mas de vital importância.

Durante seu tempo, a pregação era o principal meio de evangelização, especialmente nas áreas rurais. Muitos pregadores viajavam de lugar em lugar na medida em que eram convidados. Ficavam onde as pessoas ofereciam hospedagem, e eram muitas vezes chamados de “circuit riders” (pregadores itinerantes). No entanto, no sentido de instar o envolvimento de todos os membros da igreja e do uso dos vários dons e talentos no trabalho nas cidades, a visão de Ellen do evangelismo nas cidades era única, no sentido de que ela moveu-se para além da pregação e focou em alcançar as diferentes classes de pessoas através do envolvimento dos membros da igreja e do uso de seus dons diversificados.[3]

 

Treinamento

Em uma carta a J. H. Kellogg e sua esposa Ella em 1892, Ellen White observou um problema no trabalho nas cidades e enfatizou a necessidade de treinamento.

“Foi me mostrado que em nosso trabalho pela iluminação das pessoas das grandes cidades, a obra não tem sido tão bem organizada ou os métodos de trabalho tão eficientes quanto nas outras igrejas que não tiveram a grande luz que consideramos tão essencial. Por que isso? Porque muitos de nossos obreiros têm sido aqueles que gostam pregar, e grande parte de seu labor tem sido colocado na pregação. Mais atenção deve ser dada ao treinamento e educação dos missionários com uma referência especial para trabalhar nas cidades. (1892: 3)” (Carta 34, 1892)

Ellen White esperava que os líderes da igreja conduzissem treinamentos dos membros da igreja especificamente para o trabalho nas cidades.

“É dever daqueles que se apresentam como líderes e mestres do povo instruir os membros da igreja quanto ao trabalho em atividades missionárias, e então ver em operação a grande obra de ampla proclamação desta mensagem que deve despertar toda cidade não trabalhada, antes que venha a crise, quando, mediante a operação de agências satânicas, as portas ora abertas para a mensagem do terceiro anjo serão fechadas.” {Olhando para o Alto, p. 302}

Em uma carta para Stephen Haskell e sua esposa Hetty que estavam fazendo um trabalho na cidade de Nova York, Ellen White ressaltou a importância e a necessidade de treinamento de trabalhadores no trabalho das cidades.

“Irmão Haskell, o Senhor vos deparou uma oportunidade de entrar na cidade de Nova Iorque, e vosso trabalho de missão aí deve ser um exemplo do que deve ser esta espécie de trabalho em outras cidades…Tendes de estabelecer em Nova Iorque um centro de esforço missionário, do qual a obra possa ser levada avante com êxito. O Senhor deseja que esse centro seja uma escola de preparo para obreiros, e não se deve permitir que coisa alguma interrompa a obra.”— Carta 150, 1901. {Ev 385.6}

Treinamento adequado é indispensável em qualquer plano de trabalho nas grandes cidades.

“Não deve existir qualquer atraso nesse bem planejado esforço para educar os membros da igreja. Pessoas plenamente consagradas, e que compreendem a santidade e importância da obra, devem ser escolhidas para trabalhar nas grandes cidades. Não sejam enviados os que não se acharem qualificados nesses aspectos.” {T9 119.

 

Métodos de Trabalho

Os primeiros anos da Igreja Adventista se beneficiaram muito da pregação e do evangelismo de tenda como métodos na obra de Deus. Mas quando Ellen White instou os líderes da igreja a evangelizar as grandes cidades, ela claramente aconselhou a igreja para ir além desses métodos e explorar outras maneiras.

“Novos métodos precisam ser introduzidos. O povo de Deus tem que despertar para as necessidades da época em que vive. {Ev 70.1}. “Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram usados na mesma no passado; mas não permitamos que alguém, por causa disto, ponha obstáculos no caminho mediante a crítica. —. {Ev 105.2}

Os desafios enfrentados pelos obreiros da igreja nas cidades eram maiores do que em áreas rurais. Ela reconheceu que o trabalho nas cidades não era fácil. “Nas cidades de hoje, onde existem tantas coisas destinadas a atrair e agradar, o povo não pode se interessar por esforços medíocres”.— Obreiros Evangélicos, 345, 346 (1909). Isto requeria esforços extraordinários ou inovadores para alcançar as pessoas da cidade.

“Os ministros designados por Deus acharão necessário empregar esforços extraordinários, a fim de atrair a atenção de multidões. E quando tiverem êxito em congregar grande número de pessoas, devem apresentar mensagens tão fora do comum, que o povo seja despertado e advertido. Precisam fazer uso de todos os meios que sejam possíveis, para que a verdade seja proclamada de um modo especial e com clareza. A probante mensagem para este tempo deve ser pregada com tanta clareza e de modo tão positivo, que impressione vivamente os ouvintes e os induza a quererem estudar as Escrituras.” — Testimonies for the Church 9:109 (1909). {Ev 40.4}

Em seu conselho sobre o envolvimento de membros da igreja, Ellen White apontou para a abordagem pessoal de Cristo durante seu ministério terrestre como um modelo para se aproximar das massas nas grandes cidades.

“Unicamente o método de Cristo trará verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: “Segue-Me.” João 21:19. {CBV 143.3}

Esta abordagem pessoal é melhor realizada quando os membros da igreja são mobilizados e devidamente treinados para realizar suas tarefas. Cada pessoa que os membros da igreja encontram é uma oportunidade para a obra missionária.

“O Senhor me apresentou a obra que tem de ser feita em nossas cidades. Os crentes aí devem trabalhar para Deus nas vizinhanças de sua casa. Necessitam fazê-lo quieta e humildemente, levando consigo, aonde quer que forem, a atmosfera do Céu. Se perderem de vista o próprio eu, apontando sempre para Cristo, será sentido o poder de sua influência.” {T9 128.1}

Os membros da igreja que seguem a abordagem de Cristo em alcançar pessoas usando diferentes formas de trabalho serão eficazes em alcançar as populações das grandes cidades. As diferentes linhas de trabalho da cidade incluem o trabalho de casa-em-casa (T9, p.111), o evangelismo médico (T7, p.111), as escolas de culinária (T7, p.113), restaurantes (T7, p.115-117), realizar reuniões evangelísticas em centros de turismo e centros de comércio (T9, p.121). Todas estas abordagens fornecem avenidas para contato pessoal.[4]

Um exemplo é o trabalho de Stephen Haskell. Em 2 de Outubro de 1901, Ellen White escreveu uma carta para Stephen Haskell.

“Irmão Haskell, o Senhor vos deparou uma oportunidade de entrar na cidade de Nova Iorque, e vosso trabalho de missão aí deve ser um exemplo do que deve ser esta espécie de trabalho em outras cidades…Vossa obra em Nova Iorque foi iniciada na devida maneira. Tendes de estabelecer em Nova Iorque um centro de esforço missionário, do qual a obra possa ser levada avante com êxito. O Senhor deseja que esse centro seja uma escola de preparo para obreiros, e não se deve permitir que coisa alguma interrompa a obra.” — Carta 150, 1901. {Ev 385.6}

Stephen e Hetty Haskell “alugaram uma suíte no sexto andar de quartos e começaram a dar estudos bíblicos para os seus vizinhos no mesmo prédio de apartamentos” (Moon, 2013:404). A equipe de Haskell incluía 20 trabalhadores: enfermeiros, instrutores bíblicos, instrutores da escola de culinária, e jovens que vendiam livros e revistas nas ruas. Eles empregaram métodos diferentes em seu trabalho na cidade. Ellen White elogiou o trabalho de Haskell que ela viu como “um exemplo do que o trabalho missionário em outras cidades deve ser” (Letter 150, October 2, 1901, 2) [5]

 

Auxílios Visuais

Ellen White não originou os vários métodos de trabalho nas cidades. Em vez disso, ela manteve uma mente aberta e estava interessada em observar o trabalho efetivo dos outros. Tal foi o caso de William W. Simpson, que se tornou bem sucedido no uso de recursos visuais tridimensionais em sua pregação nas cidades da Califórnia. Simpson usou animais em “papier-mached” para ilustrar suas palestras dos livros de Daniel e Apocalipse que ele rolava para o palco no momento apropriado durante a sua pregação. Ellen White elogiou este método que provou ser eficaz em cativar a atenção do público em seu tempo (Fortin, 2013:511).

 

Obra Médico-Missionária

 Ellen White também destacou a obra médico-missionária como uma cunha de entrada eficaz. “Portas que foram fechadas para aquele que simplesmente prega o evangelho, abrir-se-ão ao inteligente missionário médico.—. {Ev 513.3} Ao usar Cristo como um exemplo de um trabalho médico-missionário, Ellen White escreveu que “Durante Seu ministério, Jesus empregou mais tempo em curar os doentes, do que em pregar. {DTN 243.2}. Cristo permanece diante de nós como Homem-Modelo, o grande Missionário Médico — um exemplo para todos os que viessem depois. {MS 20.1} Por isso, ela aconselhou os obreiros enfaticamente a usar o trabalho médico-missionário nas cidades.

“A obra médico-missionária precisa ter os seus representantes em nossas cidades. Devem-se criar centros e estabelecer missões em setores corretos. Os ministros do evangelho devem unir-se com a obra médico-missionária, a qual tem-me sido sempre apresentada como a obra que deve derribar preconceitos existentes em nosso mundo contra a verdade. A obra médico-missionária está crescendo em importância, e reclama a atenção das igrejas. Ela é parte da mensagem do evangelho, e deve ser reconhecida.” —{MS 241.3}

A obra medico-missionário atua como “a mão direita, a mão auxiliadora do evangelho, para abrir as portas à proclamação da mensagem. … {Ev 513.2}. Ellen White viu a mensagem de saúde como um método eficaz para alcançar alguns grupos de moradores da cidade que não podem ser alcançado por outros meios.

“Os evangelistas médico-missionários estarão habilitados a fazer uma excelente obra como pioneiros. A obra do pastor deve unir-se inteiramente com a do evangelista médico-missionário. O médico cristão deve considerar sua obra como sendo tão importante como a do ministério… Os médicos cuja habilidade profissional se acha acima da dos doutores comuns, devem-se dedicar ao serviço de Deus nas grandes cidades. Devem procurar atingir as classes mais elevadas.” {T7 111.4}

Conclusão

As opiniões de Ellen White vieram como resultado das instruções dadas por Deus sobre as missões da cidade; no entanto, ela não foi a criadora das estratégias específicas para o trabalho da cidade. Em vez disso, manteve uma mente aberta não só para a orientação de Deus, mas também para as idéias em torno dela. Ellen White elogiou e incentivou os obreiros quando soube de suas novas idéias efetivas. Ela elogiou o trabalho de Stephen e Hetty Haskell em Nova York como “um exemplo do que o trabalho missionário em outras cidades deve ser” (1901: 1). Ela elogiou William Simpson por seu uso criativo de imagens de papel machê em um tempo em que os recursos eletrônicos eram inexistentes. Ellen White foi inovadora na medida em que integrou conselhos divinos e realidades práticas em sua filosofia de trabalho na cidade. Sua ênfase no envolvimento dos membros da igreja, sua capacitação e a necessidade de atender às diversas necessidades de diferentes tipos de pessoas nas cidades mostram uma abordagem abrangente no cumprimento da comissão evangélica.

O que era significativo em seus pontos de vista foi a centralidade de Cristo no trabalho da cidade. Ellen White considerava o modelo do ministério de Cristo como um exemplo nas missões da cidade. Cristo pregou o evangelho e abordou as necessidades espirituais, físicas e emocionais da multidão. Ele vivia entre as pessoas que ele estava procurando. Fazer missões na cidade em nosso tempo significa mais do que pregar. Ele também pede envolvimento na vida da comunidade e o atendimento das necessidades sentidas das pessoas da cidade. Se Ellen White se dirigisse à Igreja Adventista hoje, estou certo de que ela diria: “Como Jesus trabalhou, vá e faça o mesmo”.

 

Bibliografia

Fortin, Denis. 2014. Simpson, William Ward. The Ellen G. White Encyclopedia. Edited by Denis Fortin and Jerry Moon. Hagerstown, MD: Review and Herald.

Knight, George R. 2014. Cities, Living in. The Ellen G. White Encyclopedia. Edited by Denis Fortin and Jerry Moon. Hagerstown, MD: Review and Herald.

Moon, Jerry. 2014. Haskell, Stephen Nelson. The Ellen G. White Encyclopedia. Edited by Denis Fortin and Jerry Moon. Hagerstown, MD: Review and Herald.

White, Ellen G. 1874. Manuscript 1, April 1, 1874, 3, 14.

_________. 1892. Letter 34, September 16, 1892, 3.

_________. 1901. Letter 150, October 2, 1901, 2.

_________. 1902. Advent Review and Sabbath Herald, September 30, 1902, 7. _________. 1906. Advent Review and Sabbath Herald, December 20, 1906, 7. _________. 1911. Acts of the Apostles. Boise, ID: Pacific Press. Quoted in George R. Knight, “Cities, Living in.” In The Ellen G. White Encyclopedia, ed. Denis Fortin and Jerry Moon, 714-716. Hagerstown, MD: Review and Herald, 2014.

_________. 1913a. The General Conference Bulletin: Thirty-eighth Session 7, no. 3:33–34.

_________. 1913b. The General Conference Bulletin: Thirty-eighth Session 7, no.

11:164–165.

_________. 1940. The Desire of Ages. Mountain View, CA: Pacific Press. _________. 1942. The Ministry of Healing. Boise, ID: Pacific Press.

_________. 1946. Evangelism. Washington, DC: Review and Herald.

_________. 1948a. Testimonies for the Church. Vol. 7. Boise, ID: Pacific Press.

_________. 1948b Testimonies for the Church. Vol. 9. Boise, ID: Pacific Press. _________. 1963. Medical Ministry. Mountain View, CA: Pacific Press.

_________. 1990. Manuscript Releases Vol. 10. Silver Spring, MD: E. G. White Estate.

 

[1] A number of studies have been published on Ellen G. White’s writings on city missions: N. C. Ted Wilson, “A Study of Ellen G. White’s Theory of Urban Religious Work as It Relates to Seventh-day Adventist Work in New York City,” PhD dissertation, New York University, 1981; W. A. Westerhout, Science of Metropolitan Medical Missionary Evangelism, 1969, an unpublished manuscript; Lake Union Herald published a cover article, “An Appeal to Work in Our Big Cities,” June-July 2014, 14-19, a compilation of Ellen White’s quotations.

[2] Ellen White generally used the phrase “work in the cities” in her writings to refer to city missions or city evangelism. I followed Ellen White’s usage in the main section of the paper. For the title, observations, conclusion and endnotes, I used “city missions” to reflect current usage. Essentially, all phrases refer the same thing, which is the reaching out to the cities or the proclamation of the gospel to the cities.

[3] “Mobilizing the Laity for Ministry” in Monte Sahlin’s Mission in Metropolis: The Adventist Movement in an Urban World, Lincoln, Nebraska: Center for Creative Ministry, 2007, provided valuable information on involvement of church members. Mission in Metropolis is an important resource on city missions. This book is replete not only with ideas but also with clear examples and stories.

[4] Veja também Miroslav Pujic sobre os métodos de alcançar a geração pós-moderna no artigo “Re-imagining Evangelism in a Postmodern Culture,” Ministry: International Journal for Pastors, vol. 85, no. 5, May 2013: 13-16.

[5] See Gary Krause for the description of the incarnational ministry of Stephen Haskell in New York City in “Treading Urban Ground Like Jesus,” Ministry: International Journal for Pastors, vol. 85, no. 5, May 2013: 6-9.